Há um mundo gracioso e intocável lá fora, envolto por uma
atmosfera branda e reluzente por detrás das cortinas, observo metodicamente
pela pouca luz que adentra o quarto. Há luz, na íris de um olhar entorpecido,
que, por vezes, perde-se em passos dados no passado. Tal luz que me permite ver
o transcorrer dos dias, esses, frios e serenos, sem culpa, ou quaisquer
resquícios de gotas quentes que já estiveram espalhadas pelo chão. Hoje, nas tardes
noites, estão presentes apenas o reflexo cintilante das estrelas, que me fazem
esquecer as dores da alma e do coração.
Seria ele, o amor, capaz de ser o caos e o reencontro? Uma
dor descontente, que não fere a pele, mas queima o coração latente? Falarei
dele como quem escreve uma canção para o coração, para os amantes viventes, e
também para os que não podem amar, ou simplesmente para os que sonham
acordados, enquanto anseiam por velejar em olhos conhecidos, mas tão
misteriosos, quanto os segredos do mar.
Sinto, vejo e ouço o amor. É ele
quem canta ao pé do ouvido, nas noites poéticas e me mantém refém do amanhã. O
amor inteiro, sem meias palavras ou verdades ocultas, apenas das horas passadas
e guardadas, dos momentos sublimes de nudez da alma, o amor de ser e também o
de sentir por outrem. E quando ouço o amor, pássaros da manhã cantam ao pé do
ouvido. Quando o sinto, teu rosto se faz presente, nas palavras que abraço
avidamente. Quando o vejo, desejo ter o teu rosto junto ao meu, para traçá-lo
na memória. Quero o amor em meus braços, enquanto o teu cheiro me enlaça e o teu
sorriso me enche de graça. Rendo-me, a cada movimento teu. A presença da noite
estrelada em teus olhos, guia-me em direção ao brilho das estrelas, em uma
pacata cidade, erguida sob a luz da noite, pintada em tons de azul.
Escrevo para te eternizar, em
palavras não ditas pela boca que te anseia. Guardo-as no âmbito de sentimentos
que me sufocam. Um nó de não dizer habitado por palavras engasgadas pelo medo do
tudo e do nada. Um amor guardado que queima mais que a carne exposta pelo fogo da
dor que arde sem se ver, e não se pode remediar. O silêncio que paira entre olhares que tudo dizem. Paredes brancas que tudo refletem.
Loucos são os anjos, que vivem
sobre as nuvens, tão distantes da sua presença. Ainda assim, eles têm toda a
magnificência das estrelas que está a contemplar o brilho do teu olhar. Zelam
por teus passos, enquanto teus olhos ainda flamejam. E te velam, quando a noite
cai, até te verem adormecer nos braços de Morfeu. Tenho inveja deles, que te
vêm todos os dias, que te contemplam e escrevem poesias, pois têm a mais pura e
bela inspiração vagando pelo espaço que habitas no mundo e em meu coração.
Sabem por onde andas, o que pensas, e o que sentes. E eu sei que eles sabem,
que tu és o mais belo de todos os astros.
O amor é um dos mistérios dos deuses e dos anjos. É o combate atrevido entre a razão e o sentir. Os deuses não sabem o que eu sei de ti, que inventastes o amor e destes para mim. Mas como iniciante nesse porto belo, nesse balanço ligeiro, ainda não naveguei em mares profundos, me ensina a te navegar, ir de encontro a teu oceano, seja meu farol, mas me deixe naufragar em ti.
Vênus há de ter sido o teu nome
na Antiga Roma. O amor penetrado em cada fibra de teu corpo. O cheiro do pecado
exalando da carne. As mazelas da alma sendo preenchidas por amor e desejo. O
ódio desfeito. Coração refeito. Não há nome para ti, nem rosto, lugar ou pudor. Sinto o que não me é palpável, tão perto na penumbra e tão distante ao
amanhecer. Será tarde para desejar aos céus, apenas por um dia, não entardecer?
Não desejo ter de sonhar com o mais belo poema, se não posso escrevê-lo com
meus punhos cerrados de furor, e nem almejar ver a tua tão translúcida íris,
que me fervura em decifrar a tua alma em meu leito, na presença de teu calor. E
nesse ínterim de medos e receios, tu és o meu benfeitor, assim, portanto, dar-te-ei,
pois, o nome de amor.
Maré - Loucos São Os Anjos | Fonte Imagem: Arte e História
Quando os amanhãs trazem o amor.
Toda manhã é espera, toda tarde é pressa, e toda noite é promessa. Todo dia é
dia dos amantes. E a cada noite é tempo para amar. O ritmo da maré se mede em
como os ventos sopram, a cada suspiro contido ou fervoroso, que sai de onde
entra o aroma do amor. Quero pintar as ondas do mar nas curvas de teu corpo,
gritar aos sete mares em tom maior, para que nunca esqueças do gozo que há
na liberdade amar.
Sinto o amor, pois o encontrei em mim
No Eu que há amor, o exala por onde for
Que a correnteza me leve para onde o céu encontra o mar
O único paraíso são as curvas do teu corpo
Então, me deixe
te amar
Não há tempestade mais bela
E nem calmaria mais branda que tu
Não há meias verdades, nem receios
O tempo é agora, é inteiro
É amor que explode dentro do peito
É meu clamor, pelo amor
É vida que pulsa e exprime a dor
É maré aberta e gemidos de amor
É sonhar ao luar e acordar em alto-mar
Todo tempo é tempo para amar
- Em Alto-Mar
Há amor em mim, sinto-o, toco-o e
possuo-o. Observo-o, como um leão diante de sua presa, com cautela e destreza,
com sede e sangue voraz pulsando em teu corpo. O amor liberta a fera no peito, que mergulha no mar para lavar as feridas. A carne exposta, vulnerabilidade
em questão, há lucidez, porém ainda longe de qualquer razão. A solidão se
faz poética nesses momentos de observação e euforia do juízo, na ausência de clareza e excesso de emoção, e o silêncio inquieto minado de pensamentos em
entrelinhas, vagando como se fossem fantasmas no coração.
Por onde andas o meu coração,
deus Eros?
Pois a paixão o dilacerou e eu o perdi
pelas mazelas...
Por onde andas o meu amor e a sua
flecha?
O vi passar por meus olhos e
se esvair de meus sonhos...
Por onde cantas o canto
proibido?
O ouvi em meu último gemido
contido, enquanto escrevia poesias na carne, sob a luz do luar...
Por onde andas a tua mãe, com seu
amor, Eros?
A espero em teu templo, com
clamor!
Peço-te, pois, que não me deixes sonhar com quem não posso sentir, uma vez que minhas palavras estão rasgadas em minha alma juvenil, à espera de um sonho adulto e palpável.
Clamo-te, pois, não mais posso
sentir meu coração em dissintonia, por um amor do qual me flagela. Devo eu, então, prometer-me não castigar-me com o peso do amor em meus olhos? Devo eu deixar que
este amor viva como um pássaro dentro de meu peito, em seu livre testemunho?
Calo-me, em absoluto consentimento.
Não há lucidez quando a carne
queima mais que brasa. O sangue tíbio, se transforma no fervor mais
arrebatador entre as entranhas. O coração clama por mais, para que, nem que
seja por um breve instante, se sentir-se vivo. As trepidações entorpecem os corpos,
que se amam e se enlaçam em apenas um. Não há mais distinção de corpos no leito
do pecado mais puro. Carícias receosas tateiam-se em puro furor. Cravando-te a
pele e reduzindo a tensão da musculatura. Receio e volúpia se unem para selar a
dor, que te golpeias a carne.
Anseio por ter o teu corpo desnudo, cheirando a libido, queimando como brasa, em pura combustão, em chamas, me chama para te amar.
Se o teu corpo é poesia, deixe-me escrever-te para sempre em meu corpo. Nas inúmeras vezes falhas em que ousei te despir de meu peito, o meu desejo abstrato era esquecer-te, e amaldiçoei-me pelo veneno que deixastes em meu coração, sendo o absoluto contraveneno, as tuas gotas que caem sobre mim. E como posso eu, negar-te o teu amor? Se o que eu mais quero é navegar em teu ímpeto descontrole, e como de consequência, ouvir o teu bravo grito, que és a mais bela música composta por teus pulmões, em um vai e vem descompassado, que me desintegra a alma sem nenhuma piedade, e deixa-nos em transe, em nossos profundos e transparentes lençóis, em nossas cascas preenchidas de êxtase, sensações e vibrações. E em nossos olhos, esse misto de querer, se torna um brilho radiante. Em nosso corpo, marcas deixadas pelo amor. Em nossa alma, as remendas que finalmente se juntam para selar a dor. Para nós, nessa cama despida, nessa alma desnuda, nessa carne crua e pura, mergulhemos e naufraguemos em volúpias de uma noite interminável e sem pudor. No ímpeto da carne, fustiga o desejo de uma noite embriagada de amor.
Anseio por ter o teu corpo desnudo, cheirando a libido, queimando como brasa, em pura combustão, em chamas, me chama para te amar.
Se o teu corpo é poesia, deixe-me escrever-te para sempre em meu corpo. Nas inúmeras vezes falhas em que ousei te despir de meu peito, o meu desejo abstrato era esquecer-te, e amaldiçoei-me pelo veneno que deixastes em meu coração, sendo o absoluto contraveneno, as tuas gotas que caem sobre mim. E como posso eu, negar-te o teu amor? Se o que eu mais quero é navegar em teu ímpeto descontrole, e como de consequência, ouvir o teu bravo grito, que és a mais bela música composta por teus pulmões, em um vai e vem descompassado, que me desintegra a alma sem nenhuma piedade, e deixa-nos em transe, em nossos profundos e transparentes lençóis, em nossas cascas preenchidas de êxtase, sensações e vibrações. E em nossos olhos, esse misto de querer, se torna um brilho radiante. Em nosso corpo, marcas deixadas pelo amor. Em nossa alma, as remendas que finalmente se juntam para selar a dor. Para nós, nessa cama despida, nessa alma desnuda, nessa carne crua e pura, mergulhemos e naufraguemos em volúpias de uma noite interminável e sem pudor. No ímpeto da carne, fustiga o desejo de uma noite embriagada de amor.
Que cheiro têm as rosas? Senão, o teu ludibriante perfume? Quando em mim adentra um vazio, este impetuoso e por vezes místico, paro uma vez, fecho meus olhos e respiro fundo, neste momento, me encontro em um lugar em que sei que tu estarás lá. Com teu cheiro doce e teus olhos reluzentes. Sinto-me frente a porta do paraíso, à beira de um precipício, que nele ecoa o teu nome, me jogo de olhos fechados e sinto tua respiração ofegante em meu rosto, tua boca rente aos meus lábios, e tuas mãos dominando a arte de sentir, deixo-me existir somente para esse instante, e quando abro meus olhos, percebo que recebo beijos de um anjo.
...Te clamo, meu único e verdadeiro amor. Poesia da noite. Rosa das manhãs. Fostes tu que me regastes na morte do sertão. Fostes o teu amor que me levantastes do chão. Oh, única e esplendorosa rosa que me libertastes, deixe comigo teu cheiro leve na minha companhia, pois o quero hoje e em todos os amanhãs...
Nem todo amor que aflora pode
ser tocado. Alguns desabrocham apenas para serem sentidos. Amar é como abarcar
o sol, com a certeza de se queimar em cinzas. Renascer. A proeza de sentir,
pode afugentar a mais branda escuridão. Há eu de querer não queimar meus
temores? Pois que queime, até não mais me restar resquícios de medo e
sanidade. Deixe-me embriagar-me pelo prazer de ser. Pois amor é amplitude dos
sentidos. Amor é sentir além da pele que chameja. É a música que nos tira
para dançar. É o céu que nos diz para continuar. É o barco que navega
inconstante. É o prazer de nada saber. É o navegar obstinado
de um navio, sem destino, mas sempre rumo ao Eu.
Um coração
Um contador de histórias
Gotas d'águas, raios de luz
Uma manhã e uma noite
O amanhã, e a rotina
O desencontro, as metades
A memória e o tempo
O céu e a sua infinidade
E uma linha tênue, entre...
Dois corações
Duas histórias
As tempestades, raios de sol
Manhãs de amanhãs
A colisão, e os inteiros
Dias comuns e o encontro
Um grande amor por adentro
O querer nascendo em nascentes
E desaguando pela foz de nossos corpos
Se juntando ao rio e ao mar
Unindo pelo caminho as feridas
Crescendo nas cicatrizes, sentimentos floridos
O beijo doce
O mel de abelha
O céu da boca
O luar da lua na janela
Folhas limpas, versos, rabiscos
Poemas, textos e poesias
Calor, frio e sereno
Dançam as estações em meu jardim
Brotando lembranças
Que têm o verde do alecrim
Escrevo debruçada na varanda e abraçada pelo o mar
Ouço das águas canções
Que abrem janelas nas paredes dos corações
Crescendo amor pelas medianeras da alma
Espalhando com calma
Espalhando com calma
Amor pelo mar
Há muitas memórias
Em dois corações cheios de histórias
Há muita saudade
No encontro de dois oceanos
Liberdade, é o teu codinome.
- Um Por Dois
Conto-te agora, a minha história.
Um paradoxo irrevogável. O quão excitante pode ser, embriagar-se do Eu?
Deixe-me lhe dizer. Avistar o céu e se ver como um habitante deste mundo
imensuravelmente questionável e insaciável. Ir de encontro ao mar, e
sentir a brisa fresca a divagar, entre pensamentos inundados pelo o pavor de
nada saber. Não tão instigante de primeiro pensamento, apenas aforismos da alma. Mas como poderia eu,
ser triste? Eu tenho a música. Os sons. Os sonhos. O palpável. A vida. A sinto
em mim. Eu sinto a mim. A música está em meu íntimo, proporcionando-me uma
euforia constante, me possuindo e me engrandecendo. Fazendo-me crer no paraíso.
Na dádiva de viver. Até os anjos veem e não creem, pois há uma felicidade
persistente, que emana de dentro, enquanto as notas do mar dançam em mim, e paro mais vez, de olhos fechados e respiro fundo para mergulhar-me no absoluto íntimo, e nesse instante, sinto
todo o meu corpo comprimir-se no prazer de ser eu.
Guardo cada momento em que olho
para o céu com vislumbre em busca de outros ventos. Minhas mãos já tocaram cada
gota que caia sobre o chão seco. Volto para o começo, onde o medo é um mito
contado da boca de um mentiroso convicto. Cessei com astúcia as gotas quentes
que já foram deixadas sobre o chão e não mais olho para o céu a espera de um
sinal. Outras histórias tenho vivido. Outros poemas tenho escrito. Com um outro
olhar, tenho ido em busca de um novo horizonte de encontro ao mar.
Pela estrada que desloco, me
deleito com os pés descalços, no caminhar de um andarilho. As paradas e voltas
por estradas que nunca mais serão as mesmas, são como incursões na alma. Pois
haverá sempre uma nova história para ser escrita em um novo curso, e uma outra
hora, um outro dia, um outro tu, um novo Eu. Não tenho medo do rodar dos
ponteiros e nem me escondo do correr do tempo que não volta mais. Ademais,
apenas tenho medo de não ser eu, em mim. Medo de naufragar na inércia de
pensamentos que não me permitam ver com clareza, que a graça da vida, é jamais
perder a beleza de senti-la.
Levo comigo o cheiro da maré e o
aroma de café de todas as manhãs. Deixo para trás, lembranças de um outono que
não volta mais. Flores de todas as estações estampam meu caminho, pela estrada
que curso de encontro ao mar. As marcas do amor em mim, formam um campo em que
cultivo com astúcia, e que colho em todas as estações, para que eu não morra sem amor e
nem durma sem sonhar. De longe, avisto o encontro do céu com o mar, e já me
pego a imaginar, as noites em que verei o afago da brisa fresca com o luar. E
nas tempestades, navegarei com a instabilidade da fúria dos deuses sob o mar.
Farei do contratempo minha maior fortaleza, e na leveza da correnteza,
escreverei alijando todos os meus temores ao mar.
Partirei na ausência de um norte,
pelas vielas e mazelas da estrada, quando meu único e incontestável desejo, é
que me levem de leve pelo o horizonte sem fim. Atracarei no cais sem
questionar. De lá, seguirei sem rumo e sem pressa para encontrar um alguém
distante, um convidado digno a um mergulho em águas que almejam serem
descobertas. Um alguém buscando a arte de ser ao amanhecer, que guarda em seu
olhar, a imensidão do céu de encontro ao mar. Por além do amor, do desejo e da
carne, a liberdade está nas palavras autênticas nas quais velejo, em busca de outras histórias para contar. O passado é como um
tesouro no mar, o amanhã está para ser escrito em um barco à deriva, sou
passageiro do hoje ainda desconhecido, um estrangeiro perdido entre metades de
inteiros, no bagageiro, levo apenas o que julgo ser verdadeiro. O meu
amor, em alto-mar.
Tu és a única estrela que preciso
para desejar
Tu és os segredos do fundo do mar
Tu és as palavras guardadas à
espera de um momento
Tu és a alma leve do vento
Tu és a graça acalentada que
abraça
Tu és o riso afagado da lembrança
Tu és o desejo que une e arde
impune
Tu és o sol da tarde que queima a
carne exposta
Tu és o calor da noite que anseia
Tu és a chama que purifica e
incendeia
Tu és o fogo, o amor e a dor
Tu és um templo esculpido pela
deusa do amor
E eu sou o tudo do nada
Eu sou o medo e a espada
Eu sou o começo e o fim
Eu sou todo o amor que há em mim.
- Tu És
Foi como se o mar tivesse se aberto em mim, e eu me tornasse onda, espuma e silêncio.
Escrito ao som de Valter Lobo - Ser de Água
Foi como se o mar tivesse se aberto em mim, e eu me tornasse onda, espuma e silêncio.
Escrito ao som de Valter Lobo - Ser de Água
Maré - Loucos São Os Anjos | Fonte Imagem: Pinterest



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