Ultimamente tenho estado devagar, meus passos curtos
seguem o ritmo de meus pensamentos. Lentos. Longe. Vagam sem pressa por esquinas de
um lugar qualquer, desconhecido da mente. Sob meus pés, sinto chãos gélidos e misteriosos. Meus olhos miram um ângulo distante a cada canto que atravesso sem olhar para o horizonte. Tenho em mim a imensidão do ser. Uma voz bonita ainda me desperta de meus pequenos devaneios diários. Um misto
de incertezas me rodeia e perdura.
Sou um navio navegante de águas turbulentas. A cada milha que percorro para atracar no cais, mergulho mais fundo
em um mar de ambiguidade que me faz recolher em um canto qualquer no espaço,
longe de toda a aglomeração humana. Olhares se encontram todos os dias em meio
as multidões, cheios de feridas e histórias para contar, corações saltitantes e
outros com medo de se entregar. E no meio da multidão, a solidão percorre muitas almas, a
minha solidão se esbarra com a sua, e vice-versa, todos os dias. Por tempos, acreditei que a solidão fosse preenchida por algo ou alguém, e quanto mais a colocava dessa forma, mais a interpretava como um lugar inóspito que deveria ser evitado.
Aprendi a conviver com a
solidão e o estado de estar só. É como um refúgio do tempo. Um oásis longe da aglomeração. Tempo para poetizar a alma. Tenho em mim o que preciso para seguir em frente
e tecer o meu futuro. Sei onde a minha alma me leva, para onde o amor floresce e os dias são sempre como uma tarde de verão no litoral. Rumo a liberdade. Frente ao desconhecido. E o agora é o que tenho para dar vida ao desejo de velejar por ares onde os sonhos dormem enquanto aguardam para serem preenchidos.
Me dói em
certas ocasiões a arte de sentir. Como quando me apaixono e deposito a minha existência em
um coração saltitante e um belo par de olhos. Depositando meu Eu
em outro Eu, as feridas aparecerão e essa lesão pode demorar a se cicatrizar. Por vezes, me sinto uma alma insensível proferindo tais
palavras, no entanto, cultuo o amor e é parte de quem sou, é como caminhar sob
o céu estrelado, tendo a lua como guia em rumo a uma marcha em um campo
blindado pelas dores do mundo. Amar é deixar ser. Amar é ver a beleza do amanhecer. É ter o coração preenchido pela grandiosidade do viver.
O amor é uma
transferência de sentimentos, uma troca mútua, um lugar para repousar os olhos
cansados. O viajar do
terreno para o sublime. No entanto, tais palavras que interiorizo,
é que não posso ser salva de mim por outro alguém. Posso amar e deixar que o amor ancore, mas não fazer dele um refúgio de mim. Ainda que, o meu Eu seja uma rocha impermeável de medo de outrem adentrar por
minhas entranhas e desvendar o meu mais profundo temor, o de me abrir para um Eu que não seja Eu. De nada adianta sentir com medo. De nada adianta aceitar sem estar
preparado. De nada adianta querer sem a força mínima para percorrer a segunda milha,
pois a primeira já foi deixada para trás. O caminho da aceitação. O auto entendimento. A punição de ser
eu. Contudo, prossigo sempre rumo ao sol, para não me afogar em meio a minha imensidão.
Ergo meus olhos
todos os dias para a vastidão do céu sob meus pés, com grandiosas canções a me
embriagarem, fazendo companhia as minhas fantasias da mente inconsciente.
Tenho o encontro do passar das horas me trazendo as noites, fazendo jus aos meus mais eróticos devaneios de uma mente imaginativa e um
coração vermelho amor, de copo cheio de um vinho francês qualquer e petiscos baratos. A
brisa fraca vem solenemente introduzindo-se pela janela alta, projetando nas
paredes o dançar das folhas pelo vento transitando por entre elas. Trazendo a cor do amor.
Olhando para o
líquido dentro da taça, lembro-me de lábios em tons vívidos pronunciando sobre
o prazer da vida. De olhos castanho-escuros trazendo o brilho das estrelas. De
um sorriso genuíno. De gestos singelos traduzidos para o poético. De beijos
quentes queimando a pele exposta. Da paixão que arde peito afora. Do amor que
se constrói em meio às ruínas. Do sentimento que se aflora e deixa
chamejar a dor que só o amor é capaz deixar à mostra. Do desejo contido que desmorona
entre corações silenciosos. Da tentativa falha de censura por negar a mim mesma
que sinto demais.
Conto os dias pelas manhãs. Enquanto a cidade dorme e seus olhos estão fechados. No momento em que os sonhos ainda são realidade e promessas não serão quebradas. Onde lembranças dançam no coração em ritmo descompassado, em que olhos castanho-escuros fazem parte de mim, a música que por fim faltava na memória. Estou de olhos fechados e braços abertos contemplando o paraíso utópico. E a lua chega, chega para iluminar seu corpo pedindo para ficar, e ir embora se torna apenas uma ideia abstrata para afastar o desejo de estar. Anseio por naufragar em seu mar. Porém, partirei antes que meu coração possa começar a queimar.
Mas por além do medo, é urgente ter o amor correndo pelas veias e queimando corações desertos. Contemplo as suas escolhas e desejos. Não quero ter de mirar o sol e não ver o brilho do seu olhar. Já que, é quando sinto a pele queimar, que a sua luz reluz. Então, não quebre meu coração. Não pretendo ter de dizer adeus e tentarei não ferir seus sentimentos. Serei sua espada e escudo quando a guerra se fizer presente. Quando o medo tentar ultrapassar as barreiras, trancarei a porta e deixarei que o paraíso seja real. E no mar escuro, agora deixo que haja luz.
Conto os dias pelas manhãs. Enquanto a cidade dorme e seus olhos estão fechados. No momento em que os sonhos ainda são realidade e promessas não serão quebradas. Onde lembranças dançam no coração em ritmo descompassado, em que olhos castanho-escuros fazem parte de mim, a música que por fim faltava na memória. Estou de olhos fechados e braços abertos contemplando o paraíso utópico. E a lua chega, chega para iluminar seu corpo pedindo para ficar, e ir embora se torna apenas uma ideia abstrata para afastar o desejo de estar. Anseio por naufragar em seu mar. Porém, partirei antes que meu coração possa começar a queimar.
Mas por além do medo, é urgente ter o amor correndo pelas veias e queimando corações desertos. Contemplo as suas escolhas e desejos. Não quero ter de mirar o sol e não ver o brilho do seu olhar. Já que, é quando sinto a pele queimar, que a sua luz reluz. Então, não quebre meu coração. Não pretendo ter de dizer adeus e tentarei não ferir seus sentimentos. Serei sua espada e escudo quando a guerra se fizer presente. Quando o medo tentar ultrapassar as barreiras, trancarei a porta e deixarei que o paraíso seja real. E no mar escuro, agora deixo que haja luz.
Quero a liberdade de ser quem sou para atracar no porto.
A distância da fraqueza do medo, para não ter a sua temida companhia. Pôr para
fora as palavras e não apenas balbuciá-las. Expor meus sentimentos sem o receio
do acanhamento. Deixar que o desejo ardente de sentir seja consumido pelo coração. Quero a liberdade de amar. Quero o prazer de ser eu.
“Não vou procurar quem espero
“Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Parto rumo à primavera
Que em meu fundo se escondeu
Esqueço tudo do que eu sou capaz
Hoje o mar sou eu” -
Capitão Romance, Ornatos Violeta
Continuação de Notas de Um Amanhecer | Escrito ao som de Noel Gallagher’s High Flying Birds - If I Had A Gun…
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Um Canto Qualquer no Espaço | Fonte Imagem: Edisonsgifts

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