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Notas de um Amanhecer

Repouso minha cabeça de leve no travesseiro com os pensamentos vagando em uma fria manhã de setembro. O céu lá fora está gelado como meu coração e os poucos raios de sol que saem por entre as nuvens invadem meu quarto escuro que ainda exala o seu cheiro, da noite que aqueceu todo o cômodo. Meu coração inquieto insiste em sonhar com seu rosto todas as noites, e me faz amanhecer todas as manhãs chamando pelo seu nome. 

As paredes estão frias como a névoa branca. Meu corpo parece se petrificar em um canto gélido, procurando por qualquer vestígio que me lembre seu cheiro doce, exalando de seu corpo em chamas. Teus olhos se parecem com um oceano a ser desvendado por aventureiros veteranos. Teu corpo tem as mais belas curvas que minhas mãos já puderam percorrer. É admirável seguir teu olhar enquanto me olhas.

O amor a qual meu coração clama é promessa, promessa de estar para o sempre, mesmo que o sempre não seja infinito como quero teu livre e selvagem coração. Quero o teu amor sem controle ou amarras, sem pressa ou arrependimentos, com apenas o correr do tempo ditando as regras. Quero o seu abraço me aquecendo e me fazendo sentir cada batida em teu peito. Anseio por ouvir tua voz ecoando na minha mente e queimando meu coração.

Por um tempo, construí barreiras que me impediram de prosseguir, contudo, tu as pôs para baixo. As mais belas palavras que já citei, foram pensando em como o amor transforma e transborda em cada ato teu, em cada palavra pronunciada, com pureza ou volúpia. O amor não é como a fina névoa da manhã, que se desfaz com o primeiro raio de sol, não se cansa no primeiro contratempo, e nem se desfaz com o tempo. Ele prevalece e envelhece. E faz morada nos corações. 

O amor é como um estranho batendo à porta. Ele entra como um desconhecido, e sai como um amigo, adentra novamente, e sai como uma possível paixão. E, mais tarde, mais uma vez ele chega, porém, dessa vez, em forma de amor e sem aviso, sem olhar teus medos ou pecados, apenas enxergando teus olhos baixos e cansados, questionando-te docemente para ficar. O amor então sorrindo, segura a doce mão. E os anjos lá em cima contentes, puderam assim descansar, observando o hóspede digno de estar.

Um lugar no seu coração, é tudo o que preciso para ficar, é onde as viagens acabam e encontro o meu caminho de volta para casa. No teu peito. Segurei tuas mãos com carinho para que ficasse. Tentando demonstrar minhas razões para que confie em mim, pois o meu clamor por ti não é incerto, é coração valente que sente sem medo de sentir. 

O nosso amor é um novo começo, não um tudo de novo, mas um todo de amor. 

"Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor." - Eugénio de Andrade

Escrito ao som de Russian Red - Loving Strangers

Notas de Um Amanhecer | Fonte Imagem: Ouigigi

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