Jamais estarei só, a música habita ferozmente minha alma, que companhia melhor eu poderia ter? Cada célula do meu corpo é composta por notas altas e baixas, agudas e graves.
No salão da minha mente estou eu e uma taça de vinho vazia, em uma sacada numa pequena casa de tijolos avermelhados, na encantadora Bruges, cidade da Bélgica. Fria, entretanto, deslumbrante, com suas cores misteriosas, os canais, a arquitetura medieval, tudo em uma perfeita sintonia.
Olhando para a rua sombria, avisto apenas as luzes da cidade que dão vida aos seres noturnos, bêbados e inconsequentes, que seguem perambulando sob a luz do luar.
Caminho até a saída daquele lugar que é meu lar, igualmente inconsequente, ou apenas uma aventureira que deseja viajar fora da mente.
Saio caminhando em ritmo das notas de Jascha Heifetz, me sentindo loucamente enfurecida por desejo de ar puro. As calçadas e árvores ainda molhadas por uma bela chuva assistida pelo luar, lavando toda a sujeira da cidade, deixadas por almas impuras.
Com o coração calmo, alma inquieta, entro em um bar arquitetado cautelosamente para o aconchego, com uma atmosfera rústica, portando madeira do teto ao chão, luzes amareladas e fracas reluzindo o brilho das bebidas indo de encontro a bocas famintas em busca de esquecimento, fielmente adentrando por entre os ouvidos o jazz de John McLaughlin.
Entre uma taça e outra do melhor vinho da casa, estou eu, sorrindo para estranhos da pacata cidade, começo a dançar desastrosamente com um figurino solto o bastante para me fazer rodopiar por todo o salão. Quando as luzes se apagam, todos entendem que a noite acabara, vão cada um voltando para seus lares cheios de vigor, e eu, voltando para sacada novamente, livre estou de meus devaneios.
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| Noite em Bruges | Fonte Imagem: Destinos Imperdíveis |

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